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Na ausência do tinteiro e da pena, me sirvo da eletricidade e de um computador
Na ausência de um grande amor, me sirvo dos pequenos
Na ausência de um romance, me sirvo de um livro
Na presença das ideias, da dor, das coisas não feitas, me sirvo das feitas

Fugir de si é a fuga mais imprópria
Mas é preciso ser tolerante consigo
Cansada de correr, me propus parar para ver ao redor
Mas quando eu me alcanço...hesito
E tal como a criança com medo do escuro, tenho medo da luz
São medos tais, que seriam irracionais se não fossem tão metodicamente revistos
Medo de escrever em prosa, o verso que não lhe cabe
E escrever em verso a prosa que não lhe serve
Impermeável é esta mulher.
Selada por fora para ninguém entrar, selada por dentro para nada sair

E o que transparece é apenas uma adequação da moral que deve ter

Mas quem sou, quem sou...
Mais doce que o açúcar, mais leve que a pena, mais dura que os sonhos
Sou a poesia presa na ideia do poeta, aquela palavra que fica na ponta da língua mas não sai

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