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Mostrando postagens de 2013

BLOQUEIOS

Na ausência do tinteiro e da pena, me sirvo da eletricidade e de um computador Na ausência de um grande amor, me sirvo dos pequenos Na ausência de um romance, me sirvo de um livro Na presença das ideias, da dor, das coisas não feitas, me sirvo das feitas Fugir de si é a fuga mais imprópria Mas é preciso ser tolerante consigo Cansada de correr, me propus parar para ver ao redor Mas quando eu me alcanço...hesito E tal como a criança com medo do escuro, tenho medo da luz São medos tais, que seriam irracionais se não fossem tão metodicamente revistos Medo de escrever em prosa, o verso que não lhe cabe E escrever em verso a prosa que não lhe serve Impermeável é esta mulher. Selada por fora para ninguém entrar, selada por dentro para nada sair E o que transparece é apenas uma adequação da moral que deve ter Mas quem sou, quem sou... Mais doce que o açúcar, mais leve que a pena, mais dura que os sonhos Sou a poesia presa na ideia do poeta, aquela palavra que fica na ponta ...

POEME-SE/ TRAJETÓRIA

De tanto correr, eu perdi a visão da estrada e deixei para traz pessoas com quem caminhava. Agora já nem sei como andar. Senti o vento frio da chegada a este lugar nenhum E aqui, no meio do nada, eu sei que correr solitária não tem propósito algum. Eu fujo todos os dias das minhas novas feridas, Mas nessa estrada evasiva só encontro a solidão Perdida e pedindo abrigo, me sinto com um pouco de frio e aperta no coração De tanto correr, eu perdi a visão da estrada e o jeito com a caminhada E agora me vejo no chão Me ergo com medo do tombo E sigo em frente no rumo Do nada, desta escalada, correndo, sem premiação.

ESSES MEUS ECOS DE NÃO AMAR

Perdendo a calma a minha alma vai se gastando Nesse verso, nessa rima, nesses olhos de não amor Perdendo a calma eu vou me levando Por esta busca, por esta rua, meio sem jeito, vou. E com a voz branda, com a pena, com a conjunção eu sigo Passeio pelo caderno, e espero traduzir ali Todas as coisas que não disse a ti Sigo mentiras, meias verdades, na ignorância, sem maldade Ela, que já não me reconhece, quando é vista... Ah, é por já ter tirado o véu, há tanto, tanto tempo Meu bem, quando eu te achar Já não confio, mas vou dançar, errar passos... E tropeçando, caio em teus braços Meio medrosa, eu, ainda assim, estarei lá

MAIS UMA DOSE AMOR

Um anestésico por favor! Para me poupar da perspicácia da minha mente Para eu me convencer da minha idiotice E para eu de fato não ver o que eu finjo que não existe Não serve o álcool A mente lenta ainda é sensível,  Quero desaprender a ler o(a) outro(a) E quero um anestésico para que a mentira protetora vire verdade curadora Um anestésico por favor Para eu não ter que me fazer de boba Para não me defender do que pensam que existe Uma dose de autoamor, maior que o amor ao próximo, por favor! Para eu parar de me preocupar em me desculpar pelo que não fiz Para eu parar de me proteger do que os outros pensam de mim Um anestésico por favor! Não para me proteger da dor Só para eu parar de sentir a dor do outro, Esse outro que escolheu sentir sua dor. -Mais uma dose, amor, mais uma dose, por favor. "Devia ser freira, assim a caridade e a preocupação e não trazer transtornos ao próximo deixaria de ser um peso e passaria a ser obrigação...

PASSARINHOS

Colher o que não plantou não é furto, ou apropriação indevida... É usurpação da própria natureza Colher o que não plantou é desejar ter o que não propiciou É mal tratar, des tratar, des interessar Machucar Pensar em sanções é improdutivo Não há o que punir Porque não há o que pedir Nem o que cobrar Eu vi a inveja nos olhos de quem não tinha o dever de cultivá-la A vitimização nos olhos de quem deveria proteger, evitar que se criasse mais uma vítima E me dei conta de que eu também estava querendo colher o que eu inutilmente tentei plantar... naquele solo infértil... naquela insistência em não mudar... com sementes que nem eu tinha. E o passado veio com ela, mas eu segui. E hoje tudo o que me resta é olhar para traz com dor Porque não tenho o que colher, nem mesmo o que oferecer Como, me diga, em que terra, você dará o que não tem? Colher o que não plantou, nem pode ser usurpação da própria natureza... porque não há colheita onde não houve plantio.

POEMA MORDAZ

É mudo o mundo Silente, ainda assim eloquente Nada se expressa como ele. O Silêncio Nem na minha mais vaga lembrança o encontro Apenas sonho Cessantemente, cansavelmente, irritadamente Com o silêncio A mudez total A palidez segura Como seria? A vida muda.

Paradigmas

Quando eu penso que quebrei todos Vem Deus e me dá mais um. Não creio que eu tenha jogado pedra na cruz, ou coisa semelhante. Acredito em um Deus Mararavilhoso, gentil, que me ama e Cuida de MIM. Eu sei que Ele Cuida, porque se não cuidasse, eu já teria caído. Eu já teria partido Foi as dores que Ele me ensinou a suportar que me transformaram no que sou. E são essas dores que me fazem exigir nada além da mais plena confiança Porque quebrar a confiança é trair e traição tem seu nível de dor Aprenda criança, só te trai quem chega perto o bastante para tal. E o que eu aprendi? Eu nasci para ser feliz Sem esquecer que: Um sorriso é sempre um sorriso, mesmo que dure apenas o tempo de uma foto.

BOLERO

Nas tuas fórmulas eu me perco Da mesma forma que as minhas formas te inebriam Nas minhas fórmulas eu te deixo Meio atônito, de mãos vazias Supere os sonhos e devaneios Reserve os medos E corra em direção aos meus ANSEIOS Me conquiste Nas minhas formas perdidas. São meio-olhares de timidez São meio-risos, insensatez Na voz que guardo de tuas fórmulas Na minha mente, há (as) nossas formas De pensar, de agir, de sentir, de ser, de desejar, de querer, de mostrar, de viver

Passo

Onde estão teus passos que não aparecem ao meu lado? Onde está o meu passo? Fechei os olhos para não ver o meu reflexo E, inevitavelmente, olhei o lado de dentro. Me vi. Onde eu me deixei nessa trajetória? Quando desistimos? Por que o caminho mais fácil é o mais duro? Desisto! Me enlaço e me desenlaço em mim, Mil vezes, a fim. E no fundo, eu passo Eu passo os meus passos Eu passo os teus passos Eu falo, eu mordo, eu morro, eu me calo.

ROMANCE

Não quero falar de todas as coisas que eu quis ter e não tive, Vou falar de todas as coisas que eu tive ainda que não as quisesse ter. Eu amo poesia Em todas as suas formas Em forma de letra, melodia, fotografia. Eu tenho um gosto só meu De bebidas, de alimentos, de companhias. Eu sou homogênea, impossível de separar, de distinguir. Sou a liberdade, sem liberalidade Tenho a necessidade de mudar o mundo Eu sou filha do Rei. Eu aceito, questiono, me inquieto, desejo, sonho. Sou impossível de ser somunicada E impossível em não comunicar. Sendo muitas, eu sou uma Sendo uma, eu sou muitas. Difícil de distinguir, Amável e ávida por amar. Sou alguém que tem sempre uma palavra amável Que fala de Deus, no meio da tensão, Tento ser o sorriso no meio de todo o cansaço Sou o abraço, igualzinha a todo Ser, sou quem abraça.

META-MOR-FOS(S)E

Os olhos se fecharam A boca se calou E o som se fez silêncio Tudo mudou de lugar Ele parou de lutar Parou de chorar tudo o que estava engasgado Parou de sofrer pelo não existiu Aceitou que tinha medo Aprendeu a ler atos, os seus e os teus, Diferencia pesadelos da realidade Fugiu de ti Vive bem em outras companhias Reconstrói todos os dias a própria história Todos os dias cultiva a própria felicidade Despreza as angústias que não podem ser contornadas Se cala diante das páginas já lidas Ele parou de importar Mas não de se importar Dia a dia.

TRANS(I)TAR

Sol, quente, invernal Luz branca, calor suave sob o casaco Não devo mantê-lo aberto porque o vento pode surgir Não quero mantê-lo fechado porque começo a transpirar Quem sabe se eu abrir alguns botões... Se os botões se abrissem por si, dando um grito de liberdade contra esse inverno maldoso que não me deixou florescer Dando um brado urgente contra esse frio e calor que não decidem entre si quem vai e quem fica É quase sábado É quase maio, e o tempo está louco Talvez minha percepção esteja afetada, a primavera não chega O inverno é teimoso, não quer ir, não quer me deixar Sol, quente e invernal Luz branca, frio sem o casaco Decidi tolhê-lo de sobre mim, para saber mais sobre mim A névoa se esvai como som (súbito), ele quer partir Pode  ir, meu caro sol, e tenta chegar mais cedo amanhã Talvez eu esqueça o casaco... talvez eu esqueça, talvez o botão se abra.

SEM PARAR, SE PARAR, SEPARAR

Aparta de ti tudo o que não te apraz Inclusive as perspectivas Sem excluir as expectativas Aparta de ti tudo o que te tornar insegura Inclusive o que não podes controlar Sem excluir o que queres cuidar Viva na solidão Com a poesia do que poderia ter sido Com sonhos, e sem qualquer juízo Aparta o que amas Aparta o que odeias Aparta o que te mantém sã.

IMUTÁVEL

A bailarina se recusa a sambar Só quer saber de repetir os passos do ballet clássico Não quer tentar nada novo A bailarina não quer mudar A bailarina se recusa veementemente a valsear Só quer repercutir nos palcos ao som do clássico Não quer tentar de novo Tem medo de cair, de se machucar A bailarina teima em não tirar as sapatilhas Em não mudar de vida Em sempre reclamar A bailarina não muda, A bailarina é muda A bailarina desistiu do ballet e quer se mudar.

SONETO (a-a) - OPERETA

É este o som que te traduz nesta noite. Estranho, Largado. A melodia que traduz as tuas ideias Incertas. Sem palavras. Em cada nota uma emoção roubada Captada pelo compositor Lançada na sua face Isolada Na paz encontrada estão todos os conflitos Todos os refúgios Todas as mentiras, que estariam lá Mas você não se permitiu.

POR NERUDA

OH AMOR! doce sibilar de palavras AQUI jaz a estória sofrida DE NOITE ela creu nas mentiras FOI doce menina, mas já é dia! ESPLÊNDIDA era a textura do primeiro beijo "NÃO TE QUERO, meu bem, não te quero!" MATILDE ouvira e não pudera crer DIEGO RIVERA era apenas o rascunho do que quisera ter UM SINAL pedira mil vezes aos céus QUANTAS coisas quis que reforçasse sua ilusão "JÁ ÉS mulher! Larga de meninices ouvira." ME FALTA o sonho, reclamara Matilde. "AMOR MEU, porque me deixas a solidão?" - perguntara. É BOM que saibas: tu és tua - respondera Rivera.

Mannuh

Derrubada pelas ondas Mergulhada na baía, No mar Sentindo o perfume da vida Ouvindo a voz da felicidade Muitas, muitas gargalhadas Roupas completamente molhadas Telefone quebrado Quem se importa? - Ela. A vida está ali, no agora - Quem está contigo minha irmã? - São as saudades que matei, depois que te vi Depois que nos encontramos, ela me empurra Eu a carrego nas costas, não somos mais crianças Errado! Nós somos.