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Sobre as coisas que existem

Você não crê até ver, mas quem viu quer te forçar a crer.
Neste mundo de racionalistas e empiristas a liberdade do outro é violenta e ousa imprimir mácula a minha liberdade de crer, de pensar, de sentir.
De repente eu me deparo com alguém que quer mandar no meu sentir "Te acalme"
"Não, eu não sou obrigada", "sim, você é". E descubro que de repente o Estado tomou uma parcela de liberdade maior do que eu estive disposta a dar.
Um conjunto de pessoas querem criar uma lei para dizer se a minha família realmente é uma família. 
Me vejo inundada de informações defendendo coisas, que a princípio, não deveriam sequer ser pauta de discussão... redução da maior idade penal?! Constituição da família?! Feminicídio?! Legalização do aborto, sobre o último, quem quer abortar vai fazê-lo independente de sua legalidade, porque só um desespero profundo leva uma mulher a abortar, mesmo que por motivo seja "não estar pronta".
E vejo o pensar querendo mandar no meu sentir. Me re-descubro na crítica de Descartes a Kant e na de Kant a Descartes como um filho no meio da briga do divórcio de seus pais.
Sobre a maior idade penal, eu penso que: eu não gostaria de viajar em um avião pilotado por um jovem de 16 anos, eu não gostaria de morar em um prédio projetado por um jovem de 16 anos, a menos que em ambos os casos ele fosse supervisionado por um adulto e se algo desse errado o adulto teria que responder solidariamente, porque ele é o supervisor. Mas se ele roubar, matar, estuprar, a culpa tem que ser dele, só dele, ignorando completamente que antes do primeiro roubo ele deve ter furtado, que antes do primeiro homicídio ele deve ter ameaçado, que antes do primeiro estupro ele pode ter sido estuprada, que ela pode ter fugido de casa porque tinha medo da família, onde estava a família?!
Sim, vamos apagar todo o contexto, vamos esquecer o abandono afetivo, material, a condição familiar, nada disso deve ser analisado porque a minha liberdade deve ser maior que o direito a igualdade dessas crianças?! O Estatuto da criança e do adolescente diz que a família deve ser notificada e acompanhada quando o menor cometer alguma infração, vou contar para vocês um segredo: ISSO NÃO ACONTECE DE FATO, não tem como, é muita gente, poucos profissionais, falta material, falta estrutura, então não dá pra fazer as coisas direitinho, como diz a lei. Por isso, eu sugiro que antes de pensarem em criar novas e severas leis, devemos colocar em prática as que já existem, e se não der certo, aí vamos conversar sobre a troca.
Sobre conceito de família, será que a moral de um grupo vale mais que a do outro apesar de todos terem assinado o MESMO pacto e serem parte do MESMO Estado?! Como se você tivesse que ser heterosexual porque eu também sou.. Não, isso não pode acontecer! Não se trata de certo e de errado, se trata de um contrato, o que é bom para mim não necessariamente é bom para o outro e eu não posso impor o meu pensamento ao sentimento alheio. Não pode. Não deve. Não, não e não!
Alguém ainda lembra que "todos são iguais perante a lei" e que os preceitos morais de um grupo não devem ser parâmetro para mudar e reintepretar a constituição de um Estado?
Família é o que cada um sente, e não posso inventar uma lei para redefinir o sentir. Isso sim, é imoral e vai muito além da competência do Estado, esta é uma norma que não protegeria a nada além de um ego e egos nunca precisaram de proteção do Estado, os egos não firmam pactos ou contratos, quem o faz são os homens.
E sobre feminicídio, a violência contra a mulher é algo inescusável, por isso, matar algém por motivo fútil utilizando meio que dificulte a defesa é homicídio duplamente qualificado com pena de 12 a 30 anos, se uma criatura não tem medo de uma pena destas... criar uma lei nova não vai fazer as pessoas terem mais medo da punição, infelizmente.
E diante de tantas opiniões sobre isso e aquilo, é provável que a minha opinião não seja sequer lida, mas eu preciso te dizer... o teu pensar não pode mandar no teu sentir, nem no sentir alheio.

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