A parte mais dificil da gravidez é esperar que as pessoas entendam, que as vezes o seu estado de agitaçao ou de agressividade ou de extrema seriedade nao é o fruto de uma raiva que vc tenha de fato verso o outro, mas de uma condiçao momentanea chamada: HORMONIOS.
Essa semana, eu odiei os hormonios da gravidez. Ao 8o mes e na reta final, depois de ter conseguido superar quase 32 semanas sem antidepressivos, meus hormonios me deram uma rasteira e venceram a batalha que eu travava com a minha mente.
Briguei com quem eu normalmente nao brigaria, disse coisas que eu certamente diria, mas normalmente eu nao teria dito na maneira mais direta possivel (teria tido mais tato) e, quem estava do outro lado nao estava pronto pra mim. Nem para me ver tao direta e crua, nem para receber o meu "puxao de orelha". Resultado: mais brigas, fui ofendida, mais dor... Mais depressao. Ativaçao da minha rede de cuidados: psiquiatra, psicologo e ginecologista. Ai veio a bomba, eles disseram:"precisa de ajuda, precisa ser medicada". Eu recebi como: "nao podera amamentar"
A principio, senti um pouco de alivio, minha cabeça estava realmente um inferno, vi uma luz no fim do tunel, a terapia nao estava bastando.
Depressao é uma coisa horrivel. Em em meio a uma crise sou lucido e ao mesmo tempo "louca". Sou capaz de compreender que os meus pensamentos suicidas é fruto da depressao, que meu sentimento de inadequaçao e angustia e raiva, vem dos hormonios da gravidez, das minhas limitaçoes pessoais e mesmo da propria depressao. E fico aterrorizada com a perspectiva de que na proxima crise essa lucidez nao esteja ali. E cada crise é pior... e pior... e pior até que eu pedi ajuda.
Pedi com todas as letras, nua crua e cruel. Com medo de machucar quem eu amo ao faze-los ouvir: "eu preciso de ajuda, isso pode me matar", mas ao mesmo tempo com a consciencia de que pedir ajuda era o unico modo de sair viva disso.
E nesse meio tempo, ouvi dizer que quem se zangou comigo (com razao, mas ao mesmo tempo sem razao, pq eu era gravidazila e podia ter me dado um desconto), me chamou de "louca", e de "a brasileira". Eu sou brasileira e talvez seja louca, ofendeu pq falou com intento de ofender, mas foi a fala de alguem ferido que queria ferir e cuja dor, raiva e recentimento é bem maior do que qualquer bem que possa ter um dia me quisto, esse lugar de fala é fruto de quem queria um apoio que nao teve, eu compreendo...
Mas agorinha eu nao posso acudir seu ego, pq tenho que cuidar de mim, do bebe que ainda nem nasceu e da menininha que eu tenho em casa. Entao, meu bem, pausa na maldade, pausa na crueldade, eu te ignoro pq apesar de te entender, nao posso resolver teu problema agora, estou ocupada tentando permanecer viva. Porque tratar uma depressao, meu caros é isso: tentar permanecer vivo.
Ao 8o mes de gravidez, com dores em todos os lugares, com medo de entrar em trabalho de parto a qualquer hora, com malas por fazer, pesando 11 kg a mais do que pesava, sendo que antes de engravidar eu ja era pesada o bastante para ser chamada de obesa tipo 1... Acho que a falta de amor de 1 pessoa por mim é o menor dos meus problemas.
é obvio que existem pessoas que gostariamos que nos quisessem bem, mas as vezes nao acontece. Nao devemos esperar do outro o que ele simplesmente nao pode nos dar.(prendi isso fazendo terapia)
Ao longo dos meus 32 anos eu desenvolvi muitos mecanismos de sobrevivencia. Sofri bullying, abuso psicologico, molestia (nao vamos nos aprofundar nisso, as vezes acho que poucas meninas no Brasil nao sofreram - triste realidade), sensaçoes de abandono. Dor. Muita dor na alma.
Eu odiei minha infancia, odiei minha adolescencia, nao entendia as pessoas, me magoava facilmente, era sensivel fragil e continuo sendo em alguns aspectos. Entao, para sobreviver comecei a tentar ser direta sobre o que penso e sinto (tipo filmes sobre terapia de casal). Aprendi a identificar a linguagem que chega ao outro e uso isso para minha comunicaçao, mas nem sempre os hormonios ajudam e ai emerge o meu normal: ser séria e direta. Mecanismo de sobrevivencia, que deu margem a interpretaçoes onde nao existia o que interpretar, que fez o receptor se sentir ferido, desrespeitado e magoado... por culpa do meu tom de voz (Deus me livre se tivessem visto meu olhar serio).
E no se sentir ferido, me feriram, e eu: nao espero um pedido de desculpas. Nao espero amor, nao espero cuidado, eu espero so que o meu sentimento pessoal de culpa passe. Que a depressao melhore, que a minha culpa por ter magoado alguem porque nao tive modos mais suaves, passe. Que minha culpa por nao ter conseguido controlar meus hormonios e ficado calada naquele dia passe. Que minha culpa porque nao fui forte o suficiente para aguentar a barra, passe. Que minha culpa porque nao vou amamentar o segundo filho, depois de ter amamentado a primeira por quase 2 anos, passe.
Eu so espero que tudo passe, eu saia viva disso e tome para mim o que for meu.
Essa semana, eu odiei os hormonios da gravidez. Ao 8o mes e na reta final, depois de ter conseguido superar quase 32 semanas sem antidepressivos, meus hormonios me deram uma rasteira e venceram a batalha que eu travava com a minha mente.
Briguei com quem eu normalmente nao brigaria, disse coisas que eu certamente diria, mas normalmente eu nao teria dito na maneira mais direta possivel (teria tido mais tato) e, quem estava do outro lado nao estava pronto pra mim. Nem para me ver tao direta e crua, nem para receber o meu "puxao de orelha". Resultado: mais brigas, fui ofendida, mais dor... Mais depressao. Ativaçao da minha rede de cuidados: psiquiatra, psicologo e ginecologista. Ai veio a bomba, eles disseram:"precisa de ajuda, precisa ser medicada". Eu recebi como: "nao podera amamentar"
A principio, senti um pouco de alivio, minha cabeça estava realmente um inferno, vi uma luz no fim do tunel, a terapia nao estava bastando.
Depressao é uma coisa horrivel. Em em meio a uma crise sou lucido e ao mesmo tempo "louca". Sou capaz de compreender que os meus pensamentos suicidas é fruto da depressao, que meu sentimento de inadequaçao e angustia e raiva, vem dos hormonios da gravidez, das minhas limitaçoes pessoais e mesmo da propria depressao. E fico aterrorizada com a perspectiva de que na proxima crise essa lucidez nao esteja ali. E cada crise é pior... e pior... e pior até que eu pedi ajuda.
Pedi com todas as letras, nua crua e cruel. Com medo de machucar quem eu amo ao faze-los ouvir: "eu preciso de ajuda, isso pode me matar", mas ao mesmo tempo com a consciencia de que pedir ajuda era o unico modo de sair viva disso.
E nesse meio tempo, ouvi dizer que quem se zangou comigo (com razao, mas ao mesmo tempo sem razao, pq eu era gravidazila e podia ter me dado um desconto), me chamou de "louca", e de "a brasileira". Eu sou brasileira e talvez seja louca, ofendeu pq falou com intento de ofender, mas foi a fala de alguem ferido que queria ferir e cuja dor, raiva e recentimento é bem maior do que qualquer bem que possa ter um dia me quisto, esse lugar de fala é fruto de quem queria um apoio que nao teve, eu compreendo...
Mas agorinha eu nao posso acudir seu ego, pq tenho que cuidar de mim, do bebe que ainda nem nasceu e da menininha que eu tenho em casa. Entao, meu bem, pausa na maldade, pausa na crueldade, eu te ignoro pq apesar de te entender, nao posso resolver teu problema agora, estou ocupada tentando permanecer viva. Porque tratar uma depressao, meu caros é isso: tentar permanecer vivo.
Ao 8o mes de gravidez, com dores em todos os lugares, com medo de entrar em trabalho de parto a qualquer hora, com malas por fazer, pesando 11 kg a mais do que pesava, sendo que antes de engravidar eu ja era pesada o bastante para ser chamada de obesa tipo 1... Acho que a falta de amor de 1 pessoa por mim é o menor dos meus problemas.
é obvio que existem pessoas que gostariamos que nos quisessem bem, mas as vezes nao acontece. Nao devemos esperar do outro o que ele simplesmente nao pode nos dar.(prendi isso fazendo terapia)
Ao longo dos meus 32 anos eu desenvolvi muitos mecanismos de sobrevivencia. Sofri bullying, abuso psicologico, molestia (nao vamos nos aprofundar nisso, as vezes acho que poucas meninas no Brasil nao sofreram - triste realidade), sensaçoes de abandono. Dor. Muita dor na alma.
Eu odiei minha infancia, odiei minha adolescencia, nao entendia as pessoas, me magoava facilmente, era sensivel fragil e continuo sendo em alguns aspectos. Entao, para sobreviver comecei a tentar ser direta sobre o que penso e sinto (tipo filmes sobre terapia de casal). Aprendi a identificar a linguagem que chega ao outro e uso isso para minha comunicaçao, mas nem sempre os hormonios ajudam e ai emerge o meu normal: ser séria e direta. Mecanismo de sobrevivencia, que deu margem a interpretaçoes onde nao existia o que interpretar, que fez o receptor se sentir ferido, desrespeitado e magoado... por culpa do meu tom de voz (Deus me livre se tivessem visto meu olhar serio).
E no se sentir ferido, me feriram, e eu: nao espero um pedido de desculpas. Nao espero amor, nao espero cuidado, eu espero so que o meu sentimento pessoal de culpa passe. Que a depressao melhore, que a minha culpa por ter magoado alguem porque nao tive modos mais suaves, passe. Que minha culpa por nao ter conseguido controlar meus hormonios e ficado calada naquele dia passe. Que minha culpa porque nao fui forte o suficiente para aguentar a barra, passe. Que minha culpa porque nao vou amamentar o segundo filho, depois de ter amamentado a primeira por quase 2 anos, passe.
Eu so espero que tudo passe, eu saia viva disso e tome para mim o que for meu.

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