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SOBRE O TEMPO (II)

De todas as vaidades,
A mais cultivada é o falar
Mas o falar no sentido de me comunicar
Amo falar, falar por falar, para ouvir minha voz
Para saber que ainda tenho voz
Para garantir que estou, que Sou

Posso falar de mil formas,
Um gesto, uma atenção, um cuidado, Uma memória
Quero cultivar minha fala e meu ouvido
Também amo ouvir!
Sim, saber como estão os amigos, sentir seus problemas
Sentir as alegrias, fazer parte das suas vidas
Ser parte da existência de alguém

Quero perder meu tempo me comunicando
Quero investir meu tempo amando me comunicar
Quero, de tantas coisas que quero, quero ter tempo para amar
Aquele sentimento bobo, de um sorriso frouxo, da lembrança de bons momentos.
Quero ter do que lembrar

Cultivar a lembrança do meu amor de amiga, trêbada.
Cultivar a lembrança de outro amor de amiga dançando o som dos anos 80
Cultivar a lembrança da minha amiga que estabelece prazos para decidir se está feliz
Cultivar a lembrança do meu amigo que me pede conselhos de madrugada
Cultivar a lembrança da minha amiga que nunca esquece de me lembrar!
Cultivar a lembrança do meu amigo que está sempre bem (mesmo quando não está)
Cultivar a lembrança da pessoa que mais me irrita no mundo! - Que esculhamba meu chopp sem álcool
Cultivar a lembrança dos amigos que agora estão longe.

Muito mais que cultivar, quero criar novas lembranças
Não perder o contato ou a habilidade de me comunicar
De tantas coisas que quero,
Quero apreciar o novo, sem abandonar o velho
Sem ficar triste com o passado,
Quero sentir a alegria de construir o futuro - comunicando.

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